Publicado em: 9 fev 2015

‘Fiquei desconsolada’, afirma Valéria Valenssa, a eterna Globeleza, sobre demissão da Globo

Dos 15 anos em que foi a estrela das vinhetas de Carnaval da Globo, de 1990 a 2005, Valeria Valenssa guarda o essencial: a habilidade de sambar com saltos altíssimos, a desenvoltura profissional com que posa para fotos e a relação de 20 anos com o marido, o designer austríaco Hans Donner.

Do resto da experiência como Globeleza -purpurina e lantejoulas em quantidades industriais, muita pele exposta e paciência para ter o corpo pintado por mais de 30 horas-, a dançarina de 43 anos mantém boas lembranças, mas “distância saudável”.

“Não tenho mais o corpo que tinha antes e sou muito exigente! Também penso nos meus filhos. Não é mais o momento para eu me expor. Vivi isso intensamente e nunca iria ignorar uma parte tão importante da minha vida. Mas sou mãe e vivo um outro período”, explica à repórter Marcela Paes na sessão de fotos feitas em um hotel em São Conrado, no Rio.

A ex-musa fez uma volta ao passado para contar sua trajetória no livro “Valeria Valenssa. Uma Vida de Sonhos”, (Editora Tinta Negra). A obra, que será lançada na terça-feira (10), é um depoimento dela às jornalistas Laura Bergallo e Josiane Duarte.

Quero colher o que eu plantei como Globeleza. Acho que o livro pode abrir portas. Quero voltar ao mundo artístico, talvez fazer um musical. No livro de 141 páginas, a carioca que nasceu no bairro da Pavuna e hoje mora no Jardim Botânico relata, por exemplo, como foi dispensada do posto pela Globo, dois anos antes do previsto por ela.

Eles disseram assim: ‘Valeria, queremos te dispensar porque o Brasil tem muitas mulheres bonitas. Vamos te substituir’. E o Hans do meu lado. (…) Ele ficou tão nervoso! Já eu não tive reação. E, sem me dar conta direito de que era uma situação imposta, de que era um fato consumado, ainda perguntei: ‘Mas eu não posso pensar?’. Eles responderam: ‘Você não tem que pensar, nós já decidimos’. Foi desse jeito. Eu não estava preparada.”

E veio a depressão: ela ficou seis meses sem sair de casa, insistindo para que o marido, que até hoje trabalha na Globo, revertesse a situação.

“Fiquei completamente fora do ar. Ligava para ele [Hans] na Globo, perguntando se não ia falar com ninguém. Fiquei descontrolada, sem chão, pela maneira como tudo foi feito”, afirma também na obra.

Na opinião da dançarina, os quilos ganhos na gestação do segundo filho -na época ela estava pesando 70 kg e enquanto era a estrela das vinhetas se mantinha com 49- foram a razão para o corte.

“Eu ainda fiz muitos sacrifícios para gravar pela última vez, na vinheta em que eu passava o posto para a nova Globeleza. Fiz lipo, coloquei prótese de silicone. Queria provar que estava bem fisicamente. Não me arrependo das plásticas, mas não faria novamente. Foi muito difícil”.

“Mas não tenho nada contra cirurgias.” Aproveita para arregalar os olhos e apontar para a testa que tenta, em vão, franzir: “Tenho botox! Só é ruim quando vou fazer uma careta de brincadeira para os meus filhos e não consigo!”.

Apesar da surpresa com a demissão repentina, Valeria não guarda mágoa da emissora. “O susto foi mais pelo jeito que foi feito. Hoje sei que foi na hora certa. Eu precisava daquilo para me dedicar aos meus filhos e a outras coisas que apareceram na minha vida. Devo muito ao Boni [ex-diretor-geral da Globo]. Sou grata por todos os anos que fui contratada exclusiva.”

O episódio gerou uma “rara” crise conjugal com Hans, a quem se refere como “o príncipe de olhos azuis com quem sempre sonhei” e a quem dedica um capítulo inteiro em seu livro.

Na época, eu não entendi que era uma situação muito difícil para ele. Mas o Hans sempre foi muito paciente, nunca ficou nervoso, nunca me destratou”, diz.

Atualmente, o casal vive, segundo Valeria, primordialmente em função dos filhos, João Henrique, 12, e José Gabriel, 11.

“Nós adoramos estar com os meninos, viajar com eles. Ser mãe sempre foi um projeto meu. Não queria ter filhos para outros criarem”, afirma.

Ela conta na obra que, logo na primeira vez em que saíram, o designer avisou que não pretendia se casar nem ter bebês. “Mas você já sabe o que deu! Agora quero muito uma menina… Vamos ver!”

Afastada do Carnaval desde que deixou o posto, a carioca diz que não sente a menor vontade de voltar à avenida. “Pendurei as sandálias”, brinca. Nos feriados, ela diz que relaxa e viaja, normalmente para a casa que mantém com o marido em Itaipava, região serrana do Rio.

“Nem recebo convites. As pessoas respeitam, sabem que isso está no passado. Também não vejo pela televisão. É bom manter a saudade.”

Além da maternidade, Valeria dedica seu tempo à Igreja Batista. Apesar de se considerar um pessoa que “sempre teve fé”, ela só mergulhou na religião durante o período de crise em sua vida.

“É como relacionamento. Sabe quando você conhece alguém e quer sair com a pessoa o tempo todo? Foi assim. Através da palavra da Bíblia, me apaixonei por esse Jesus.”

No caso de Valeria, o primeiro encontro com o novo amor aconteceu, curiosamente, em um culto evangélico realizado por funcionários dentro da própria Globo, já depois de sua saída.

“Cantaram um louvor lindo. Comecei a chorar. Não conseguia parar. Fiquei preocupada com o que os funcionários da Globo iriam pensar. Mas, de repente, esqueci de tudo. Parecia que ali só estávamos eu e Deus”, conta.

A mais longeva das cinco dançarinas que já passaram pelo posto se esquiva quando o assunto é o motivo da alta rotatividade das sucessoras.

“Acho que no meu caso foi mais tranquilo porque eu fui a primeira e não existia comparação”, contemporiza.

Em seguida, emenda, enfática: “Sabe qual é o real problema? É que ser Globeleza não é um trabalho fácil mesmo, amada”.

Portal do Litoral PB

Com Folha de S. Paulo



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