Publicado em: 26 jan 2017

Casal celebra 30 anos de casamento em UTI: ‘Vou com ele até o fim’

Juntos há 30 anos, João Rodrigues Pereira, de 55 anos, e Maria Madalena, de 46, reafirmaram o casamento trocando alianças nesta terça-feira (24). Mas a história deles não venceu apenas o tempo, mas também tem ajudado Pereira a enfrentar uma doença neurodegenerativa: a esclerose lateral amiotrófica. A cerimônia, que emocionou parentes e toda a equipe médica, foi realizada na UTI de um hospital particular de Palmas, onde o marido está internado há quase dois anos.

Emocionada, a professora Maria Madalena lembra do início do casamento, quando tinha 16 anos. Ela diz que o relacionamento foi selado para a vida toda. “Ele é o grande amor da minha vida. Temos toda uma história de vida e vou com ele até o fim”, conta.

No leito da UTI, eles comemoraram aniversários, ceias de Natal e agora reafirmaram o matrimônio.

“Eu não conhecia nada sobre a doença. No início, eu pensei que fosse exagero do médico quando falou que ia perder os movimentos, fala, respiração só não perderia a capacidade de pensar. E tudo se concretizou, mas ele continua lúcido, o mesmo de sempre. Hoje, faço o possível para os dias dele serem melhores.”

“As pessoas precisam entender que o amor não é só o carnal. Fico ao lado dele para dar alegria”, disse a professora, afirmando que as relações atuais são muito passageiras e não têm força para enfrentar as adversidades.

Um outro desafio vencido pelo casal é a distância. Isso porque toda a família vive em Silvanópolis, a 108 quilômetros de Palmas, e se reveza para visitar o patriarca todos os dias. Mas a presença que ele mais aprecia, claro, é da esposa que não pode ficar mais de um dia sem visitá-lo.

“Outro dia tive que ficar quatro dias sem ir no hospital. Quando cheguei, ele me olhou igual aquela música do Paulo Ricardo: ‘Olhar 43’. Aí a psicóloga falou para ele ‘cuidado para não perder a mulher’. Aí ele abriu o sorrisão”, contou.

O casal tem quatro filhos e dois netos, mas o hospital ficou lotado de parentes e funcionários que acompanharam a cerimônia, com direito a bolo e troca de alianças. Até o padre de Silvanópolis foi convidado e celebrou a renovação dos votos.

“A equipe do hospital sempre foi sensível e atenciosa desde quando ele foi internado. Conversamos com a psicóloga e a direção que permitiram fazer a cerimônia porque ele não pode sair, respira com ajuda de aparelhos. Todo mundo ficou emocionado, os médicos, enfermeiros, todos choraram.”

A psicóloga da unidade, Jaqueline Silva Montenegro, disse que toda equipe do hospital se mobilizou para organizar a cerimônia. “Os médicos e enfermeiros colocaram terno e gravata nele, estavam todos ansiosos e foi um momento muito emocionante.”

Jaqueline afirma que para os pacientes com esse tipo de doença, o contato com a família é fundamental. “O seu João é um morador da UTI e esse tipo de atitude ajuda a deixar o ambiente mais familiar. A família celebrou recentemente o Natal e o aniversário dele e nós permitimos a visita estendida porque eles são de outra cidade, mas sempre estão presentes. E isso é muito importante para qualidade de vida do paciente.”

João Rodrigues descobriu a esclerose em 2012. Os médicos afirmaram à família, que a expectativa de vida para pacientes com a doença é de três a cinco anos. Por isso, a professora diz que cada dia ao lado do esposo é lucro. “Ele já ultrapassou esse limite. Cada dia é uma vitória, é lucro.”

G1



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