Publicado em: 18 jun 2015

Câmara aprova janela de 30 dias para mudança de partido

No encerramento da primeira parte da reforma política, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (17) uma emenda à Constituição que abre um período de trinta dias para que deputados federais e estaduais e vereadores possam trocar de partido sem perderem seus mandatos.

De acordo com a proposta, a janela será aberta após a promulgação da emenda. Isso só acontecerá se a Câmara aprovar novamente o texto em uma segunda votação e se ele for mantido pelo Senado. A emenda foi aprovada por 317 votos favoráveis, 139 contrários e 6 abstenções.

Segundo a emenda, o partido que perder um integrante não será prejudicado em relação ao cálculo para a distribuição dos recursos do Fundo Partidário e nem para o acesso ao tempo de rádio e TV.

O texto determina que as regras valerão para quem for detentor de mandato eletivo. No entanto, na prática, senadores, prefeitos, governadores e presidentes da República não precisarão utilizar as novas normas porque o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu no fim de maio que a regra da fidelidade partidária não se aplica ao grupo. Os eleitos para este cargo podem trocar de partido sem terem seus mandatos cassados.

A Câmara rejeitou as duas últimas propostas do pacote da reforma política. Por ampla maioria –344 votos contrários, apenas quatro favoráveis e duas abstenções– os deputados derrubaram uma emenda que permitia que um político pudesse se candidatar, simultaneamente, a cargos majoritários e proporcionais. Ou seja, uma mesma pessoa poderia disputar a eleição para governador e para deputado, por exemplo.

A emenda foi apresentada pelo líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), mas durante a votação, ele orientou a bancada a votar contra a medida. Todos os partidos orientaram suas bancadas contra o texto. Votaram a favor apenas os deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ), Diego Garcia (PHS-PR), Wellington Roberto (PR-PB) e Evandro Roman (PSD-PR).

Os deputados rejeitaram também uma emenda que obrigava os políticos eleitos a cumprirem todas as suas promessas de campanha durante o mandato. No entanto, com o fim da reeleição, as punições não teriam mais eficácia. A emenda foi derrotada por 230 votos a 89, e 9 abstenções.

REFORMA POLÍTICA

A Câmara finaliza nesta quarta a votação em primeiro turno do conjunto de medidas que integram a chamada reforma política conduzida pela Casa. Todas as medidas que foram aprovadas, desde maio, precisam passar por uma segunda análise dos deputados e por votação no Senado.

Algumas das medidas aprovadas foram a ampliação do mandato para cinco anos para todos os cargos eletivos a partir de 2020 e o fim da reeleição para aqueles que assumam cargos a partir de 2016. Além destes pontos, a Câmara aprovou também no seu pacote da reforma política a introdução na Constituição do financiamento privado das campanhas políticas. A medida teve o objetivo de barrar a inclinação do Supremo Tribunal Federal de proibir as empresas de doarem para os candidatos. Os deputados também aprovaram a exigência de impressão do voto.

O pacote de propostas da reforma política será agora consolidado por uma comissão especial e será votado em segundo turno pela Câmara. De acordo com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), até o fim do mês a Casa deve encerrar a análise das propostas. Se forem novamente aprovadas, elas seguem para apreciação do Senado, onde podem sofrer mudanças.

Com Folha de São Paulo



Acompanhe as notícias do Portal do Litoral PB pelas redes sociais: Facebook e Twitter

O que achou? Comente...